Fui almoçar com um amigo. Entramos no restaurante, sentamos
à mesa, conversamos um pouco e chega o garçom. Ele anota o pedido e pergunta “e para
beber?” Respondo “uma Coca-Cola bem gelada”. O garçom devolve “gelo e limão?” e
eu completo “não, limão não, apenas gelo, por favor”... e foi aí que aconteceu.
Foi eu dizer “limão não” que o homem me olhou com uma cara
que parecia que eu havia comido carne na Sexta-Feira Santa. Vai criar rabo, vai
criar rabo!, ele devia estar me maldizendo. Uma cara tirânica, autoritária de ‘Como
assim, sem limão?!’ Sério, fiquei constrangido mesmo, como se eu tivesse falado
palavrão em frente a uma turma do jardim de infância ou daquele jeito que se sente
o infeliz que assiste a um jogo do Paraná Clube. Triste.
Contudo, como não sou homem de dar o braço a torcer, mantive
a postura, sem falar nada, apenas com aquele olhar de ‘isso mesmo que você
ouviu, sem limão’ e vida que segue.
Lá se foi o garçom e eu e meu amigo enveredamos em outra
conversa. Papo vai, papo vem e retorna o dito garçom. Ele traz os frascos do
refrigerante sobre a bandeja e, junto, os copos. Quando ele entrega o meu copo,
adivinhe: lá estava o limão. Confuso, olhei para o garçom, que cerrou as
sobrancelhas num sinal de ‘não discuta’. Comecei a olhar em volta, pois devia
ser pegadinha do Ivo Holanda. Não, talvez pior, devíamos estar sendo vigiados e
o garçom, na verdade, tentava nos salvar. Sim, pois é a única explicação. Deve
haver alguma entidade secreta defensora da Coca-Cola com gelo e limão que, sei
lá, ataca o estabelecimento que descumpre a regra.
Bom, tomei a Coca-Cola com gelo, limão e tudo. Não por estar
intimidado, mas por precaução, apenas precaução.
|