17 de maio de 2012
Um
estúpido na encruzilhada
por
Beto Pacheco
Dia desses,
eu ia para o trabalho, por volta de 8h30, e acabei, como todos, desfrutando do
delicioso trânsito que Curitiba – e todas as capitais – enfrenta em tempos
modernos. Lá vou eu, lá-vou-eu, cantarolando, pois chorar não
adianta nada, pela Rua Conselheiro Laurindo quando me deparo com os veículos
todos paradinhos da silva. Penso, cá com meus sapientes botões, “vou por outro
caminho”. Enveredo à esquerda, subo outra rua e vou até a Rua Brigadeiro Franco,
solto um “rá, sou muito esperto, dei a volta na confusão” e vida que segue.
Porém, andei duas quadras e tudo pára novamente.
E parou por
tanto tempo que um tiozinho, que pilotava um Pálio à minha esquerda, chegou até
a puxar papo.
- Mas que
merda de trânsito, hein? – o tiozinho pergunta
- Nem me
fale. Será que hoje chove? – respondo, para manter a conversa no mesmo nível.
Paro de dar
trela para o tiozinho e espicho o pescoço para ver se vejo qual o motivo do
caos. Afinal, não podia ser apenas os carros. Era tempo demais parado. Procura,
procura, procura, até que, lá ao longe, na altura do cruzamento da Brigadeiro
Franco com a Silva Jardim, vejo algo. Não identifico de imediato, mas logo
percebo que se trata do topo de um trator. Isso mesmo, havia um trator no meio
do caminho, no meio do caminho havia um trator. Bem no meio do cruzamento, no
Centro de Curitiba, às 9 horas da manhã.
Em resumo: a
prefeitura fazia obras na pista... numa segunda-feira, às 9 horas da manhã, no
meio do cruzamento – sei que estou sendo repetitivo, mas é que estou um tanto
quanto indignado. Isso quer dizer que algum gênio programou trabalhos na pista
neste horário. Mais: algum genial engenheiro decidiu parar a cidade, afinal, não
era apenas ali que as obras aconteciam, na hora de pico, com todo o mundo
querendo chegar ao trabalho, mas impedidos por um trator.
Deve ser o
mesmo astuto que planejou a famosa Linha Verde, uma via de “desafogo” sem
trincheiras e com semáforos embaixo dos viadutos. Diga-me: você conhece algum
brilhante cérebro capaz de colocar semáforo embaixo de viaduto? Não? Então venha
para Curitiba.
São coisas
assim que reforçam a minha tese dos 80%. Não conhece? Bom, antes de explicá-la,
preciso dar os devidos créditos e dizer que minha namorada é coautora. A tese é
a seguinte: chegamos à conclusão de que 80% dos seres humanos são estúpidos ou
fazem coisas estúpidas sazonais. Para ser sincero, a tese calculava este número
em 90% – lembrando outra tese, a do meu amigo Moacir, que diz que nós, humanos,
falhamos como espécie –, mas resolvi reduzir um pouco o número para dar ainda
uma chance à raça e para também não parecer tão antipático a meus pares.
Senão, me
diga, o que mais explica o fato de um imbecil programar obras no exato horário e
encruzilhada onde se encontram outros milhares de imbecis (sim, eu estava lá),
cada um no seu veículo produtor de CO², tentando chegar desesperadamente à sua
mesa, seu teclado e seu inseparável monitor, que não a estupidez que nos rege?
Outra coisa
que reforça a tese dos 80% é o Facebook. Eu sei que já encheu o saco falar disso
e por isso mesmo só vou citar outra tese que tenho, em relação ao Facebook, e
que pretendo destrinchar num texto futuro. É o seguinte, estou com sérias
dúvidas se o Facebook mudou as pessoas, transformando-as em estúpidas (cuja
porcentagem no Facebook chega a quase 84%), ou se, na verdade, o Facebook,
simplesmente, revela a estupidez que antigamente, em tempos de máquinas de
escrever, já existia, porém, estava camuflada.
Estou cada
vez mais pendendo à segunda hipótese.
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comentários
25 de abril de 2012
Insatisfação
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