|
Tudo começa quando a mãe de Bruno comunica o garoto que vão precisar mudar de casa devido ao trabalho de seu pai. Ele fica revoltado, pois vai ficar longe de sua casa (que tem um corrimão ótimo para escorregar), escola, amigos, avós, da cidade e de tudo que gosta.Eles vão para uma casa super isolada, Bruno quando lê a placa entende que lá é “Campo de Haja Vista”. É uma casa bem menor que a de Berlim e com uma grande cerca, que ao olhar da janela de seu quarto, Bruno vê que há milhares de pessoas magras do outro lado da cerca vestidas com pijamas listrados. Ele acha que o chefe de seu pai, um homem baixo, magro e de bigode estranho, que o menino chama de “Fúria”, estava com raiva de alguma coisa quando os mandou para um lugar tão ruim.E um pensamento final que passou pela cabeça de seu irmão, enquanto ele observava as centenas de pessoas na distância prosseguindo com os seus assuntos, e era fato que todos eles – os meninos pequenos, os meninos grandes, os pais, os avôs, os tios, as pessoas que vivem sozinhas nas rua das vida e não parecem ter parentes – usavam as mesmas roupas: um conjunto de pijama cinza listrado com um boné cinza listrado na cabeça. “Que coisa incrível”, ele murmurou, antes de se voltar para o outro lado.Bruno é um típico garoto da época, muito inocente, gosta de brincar e aprontar por ai, e vive brigando com a irmã, Gretel. Seu sonho é ser um explorador, e em uma de suas explorações na casa nova, ele acaba encontrando um menino de pijama listrado do outro lado da cerca, Shmuel, logo eles ficam amigos e começam a se encontrar em todas as tardes, secretamente.Bruno não sabe nem metade do que acontece ao seu redor, não tem idéia da guerra, da tortura realizada pelos nazistas aos judeus e nem das coisas que acontecem em sua casa. Hoje em dia um menino de 9 anos é muito esperto e não levaria as coisas com tamanha inocência, mas na época de Bruno não é difícil acreditar que tudo aquilo poderia ser real.O livro me lembrou um pouco “A menina que roubava livros”, só que a narrativa se torna especial por ser contada por Bruno, que embora participe dos fatos, não entende tudo da forma que realmente é.É um livro que embora seja curto, após a leitura deixa uma reflexão sobre os tempos de guerra, sobre quantos meninos iguais a Bruno e Shmuel, não sofreram com tudo isso, sem nem ao menos entender o porque de tanto ódio e violência. E o mais importante é o sentimento de amizade, que mesmo em tempos de guerra, entre “os contrários” como eles mesmo dizem, é maior que tudo.“Você é meu melhor amigo, Shmuel”, disse ele. “Meu melhor amigo para a vida toda”.Mal posso esperar para ler outros livros de John Boyne, pois ele sabe como escrever uma história muito bonita de forma simples e tocante.Não tem como não se emocionar e se envolver com a história de Bruno e o seu amigo do pijama listrado. Já está como um dos melhores livros que eu li nesse ano, é imperdível! Recomendo muito!
|