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  on /2012/06/resenha-ultima-carta-de-amor-jojo-moyes.html 06 Jun
Essa resenha vai ser complicada e vai ficar imensa, mas vamos lá.
Ellie Haworth, uma jornalista bem resolvida, bem sucedida no trabalho e na vida social, mas no amor… Ellie está saindo com um homem casado há quase um ano e está muito apaixonada por ele. Ela sabe que essa relação não tem futuro mas não consegue se libertar.
Ellie precisa dA Matéria para conseguir dar um “up” na sua carreira, resolve ir até o arquivo do Jornal onde trabalha para tentar achar algo que sirva e renda uma boa história, e é lá que ela encontra uma das cartas de amor de Boot para Jennifer, e ao mesmo tempo que busca respostas para suas próprias dúvidas no relacionamento, vê nas cartas a chance de uma história perfeita para alavancar sua carreira, e então tudo começa.
Jennifer Stirling: linda, loura, inteligente e oprimida. Casada com o rico empresário Laurence Stirling, um homem que a trata como se fosse uma boneca, com a única obrigação de estar sempre impecável para ele e para a sociedade, a perfeita anfitriã inglesa. Durante um jantar, conhece o jornalista Anthony O’Hare e sua vida muda para sempre. Anthony é um homem autêntico e inteligentíssimo e acha todos os presentes no jartar um bando de riquinhos fúteis e idiotas, bêbado, vocaliza sua opinião e Jennifer acaba ouvindo, os dois começam uma troca de farpas e na tentativa de se desculpar, ele a convida para um almoço, e futuramente os dois teriam um caso amoroso.
Confesso que o início da história de Jennifer me entediou bastante, principalmente por ser um pouco confusa. A autora mescla o passado (40 anos atrás, quando Jenny conheceu Boot), depois do acidente dela (44 anos atrás quando perdeu a memória e reencontrou Boot), e presente (dias atuais). Tudo bem que depois de um tempo você já conseguia assimilar automaticamente as mudanças de tempo e ambiente. Estive a ponto de abandonar o livro, mas ao mesmo tempo que estava chato eu sabia que a história era delicada.

No ano em que tudo começou Jennifer era casada, e naquela época o divórcio era um escândalo e uma mulher casada ter um caso extraconjugal era inadmissível, seu nome e reputação eram arrastados na lama. Então os dois começam a trocar cartas de amor e Jennifer fica cada vez mais apaixonada. Quando Boot (Anthony) vai ser mandado para Nova York a trabalho, ele pede que ela largue o marido e vá com ele. Só que acontece um acidente enquanto ela está indo encontrá-lo e não consegue chegar. Primeiro desencontro.
Jennifer perde a memória, sabe que algo está terrivelmente errado com a sua vida. Sabe que não ama Laurence e quando encontra algumas das cartas de Boot, assinadas apenas com um “B”, começa uma busca por seu amor. Quatro anos depois, eles se reencontram em uma festa e imediatamente ela sabe quem ele é, tudo volta e os dois tem um encontro tórrido e apaixonado, porém, ele está prestes a ir para a África, a trabalho, e mais uma vez pede que ela largue o marido para ir com ele, porém agora ela tem uma filha e Laurence jamais a deixaria ir e levar a menina, mas há uma reviravolta, literalmente da noite para o dia, e quando ela decide ir embora com Anthony, ela descobre que ele já foi. Segundo desencontro.
40 anos depois, Ellie acha as cartas e vai tentar descobrir o que aconteceu com os amantes desafortunados. Ela encontra Jennifer e esta conta para ela toda a sua história. Essa parte é muito emocionante, digna de arrancar lágrimas. Ellie se vê nas palavras de Boot e então o livro fica só emoção. Descobrimos como tudo realmente aconteceu com cada um deles, graças à narrativa em terceira pessoa, conhecemos como foi a vida de Boot, de Jennifer e de Ellie. Depois da página 180, que é quando inicia a Parte 2, o livro fica muito melhor e nós podemos nos deliciar com as palavras de Jojo.
O livro é delicado e reflexivo. Delicado porque trata de um assunto que é complicado até hoje: a infidelidade. Mas a história contada por Jojo Moyes foi tão bem construída, tudo tão poético que tornou um livro que tinha como foco um casal que se apaixonou no meio de uma relação adúltera, uma coisa linda e sensível, que se tratado de forma incorreta e leviana poderia ter deixado o livro vulgar. É reflexivo porque faz você pensar se é possível um amor como o de Boot e Jennifer, mesmo depois de 40 anos a chama continuar ali, viva e ardente. Mesmo depois de 40 anos, toda uma vida, os dois ainda pensarem um no outro com tanto carinho e os olhos brilharem. Se pode existir amor verdadeiro quando se trata de um caso extraconjugal, se tudo não passa apenas de carência física e emocional, pelo fato de que depois de um certo tempo o casamento esfria.
Lendo as últimas páginas do livro, na fila do banco, me peguei derramando lágrimas ao ler o reencontro de Boot e Jenny, quarenta anos depois. Que descrição linda e tocante. Me emocionei também com o que aconteceu com Ellie, que não vou contar, mas adorei. Nossa, ainda bem que eu não abandonei o livro. As últimas 204 páginas compensam as 180 primeiras. Recomendo recomendo recomendo!!!

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